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domingo, 10 de abril de 2011

BURSITE TROCANTÉRICA

A bursite no quadril é a inflamação da bursa que está presenta em várias articulações do corpo. E o que vem a ser a bursa? A bursa é uma bolsa contendo líquido que serve para melhorar o deslizamento do tendão e assim impedir o atrito deste tendão com uma eminência óssea. No quadril há uma série de bursas. As mais conhecidas são: trocantérica, isquiática e iliopectínea. Bursa Trocantérica: localiza-se entre os tendões do glúteo médio, mínimo e tensor da fáscia lata e diminui o atrito com o trocânter maior. É a mais acometida, e em muitos casos vem associada a uma tendinopatia do glúteo médio e mínimo. Ela ocorre devido a um aumento de tensão do tensor da fáscia lata sobre a bursa de encontro ao trocânter maior. É mais comum em mulheres, pois estas possuem a pelve mais larga e principalmente naquelas praticantes de academia. aulas como as de Sppining são causadoras deste tipo de lesão, pois durante a bicicleta o tensor da fáscia lata é hiperativado. O tratamento inicial é realizado com fisioterapia, para diminuição da tensão do tensor da fáscia lata, atraés de alongamentos deste músculo, massagem transversa, gelo e estabilização pélvica. Evitar dormir sobre o lado acometido também é importante, assim como evitar todas as atividades que sobrecarreguem a região. Caso o tratamento fisioterapêutico não tenha êxito, algumas outras possibilidades terapêuticas podem ser realizadas, como o uso de infiltrações por parte do médico ou procedimentos cirúgicos, como a retirada da bursa.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O DISCURSO DO REI

Ontem assisti ao tão falado filme "O Discurso do Rei". Excelente, recomendo e acredito que será o vencedor do Oscar com méritos. Muito bem dirigido, com atores fantásticos e uma história fascinante. Para mim, em especial, o filme me chamou a atenção ao personagem Lionel, o "doutor" que tem a missão de tratar a gagueira do futuro rei da Inglaterra. Me identifiquei com este personagem em vários momentos. Não pelos seus métodos nada ortodoxos ou pelo fato de estar tratando uma celebridade. E sim pela luta diária e as vitórias que temos com nossos pacientes. A cena final em que o rei consegue realizar o discurso de forma brilhante e a satisfação de Lionel, me fizeram ter recordar a sensação ao ver meu paciente, que até pouco tempo tinha dificuldade e dor para andar, iniciar os primeiros passos após colocar uma prótese de quadril e olhar com um sorriso no rosto e sentir que conseguiu vencer. Diferente do filme, em que ele pede um título de nobreza, nossa maior vitória é poder ver a alegria desse paciente e poder sair de cena com a sensação de tarefa cumprida e poder deixar o nosso paciente "brilhar".

domingo, 20 de fevereiro de 2011

ARTROSCOPIA DE QUADRIL

Após ser perguntado por muitos pacientes sobre o que é a artroscopia de quadril, resolvi escrever sobre o assunto aqui, de uma maneira o mais simples possível.
A artroscopia de quadirl é um procedimento cirúrgico, chamado de minimamente invasivo, pelo fato de utilizar apenas 3 portais cirúrgicos (pequenas incisões) o que permite uma menor morbidade. Esta técnica cirúrgica muito realizada nas articulações do joelho e ombro, iniciou a ser aplicada relativamente recente. No Brasil iniciou em 2002, e vem se desenvolvendo ao longo destes anos. Quais as indicações desta cirurgia:
1. Explicar a dor inexplicável (diagnóstico)
2. Remover corpos livres
3. Reparar danos na cartilagem
4. Remover ou reparar a lesão de labrum
5. Corrigir o impacto fêmoro-acetabular (FAI)
6. Tratamento das lesões ligamentares do quadril
7. Tratamento das infecções articulares
8. Sinovites (inflamações dentro da articulação)
9. Investigações de prótese dolorosa ou de recapeamento do quadril.

Claro que essas indicações são de maneira geral. Cada caso deve ser discutido e analisado pelo médico especialista para se afirmar se há indicação ou não de ser realizado este tipo de cirurgia.

Um abraço

Ft. André Bento

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Lesão de labrum do quadril, como tratar?

O que é a lesão de labrum do quadril? Ou melhor, o que é o labrum acetabular? É a mesma lesão do Guga? Como eu me lesionei? Como eu trato isso? É cirúrgico? Tenho que fazer fisioterapia? São algumas perguntas que surgem quando o diagnóstico é feito pelo médico ortopedista. Vamos lá, tentar responder algumas dessas questões. O labrum é uma estrutura fibrocartilaginosa, com formato trangular e que possui função de ajudar a estabilizar o fêmur na articulação, aumentar a superfície de contato entre o fêmur e o acetábulo e diminuir a pressão que o fêmur faz na articulação do quadril. A forma mais comum de desenvolver esta lesão é o microtrauma repetitivo, ou seja, fazer movimentos de rotação e de pivot repetidamente, principalmente em indivíduos que possuem predisposição a lesão, como aqueles que possuem impacto fêmoro-acetabular ou frouxidão em todos os ligamentos do corpo. alguns esportes são mais suceptíveis a esta lesão em seus praticantes, como golfe, artes marciais e tênis. Por falar em tênis, esta é sim a lesão que o Guga teve inicialmente. O tratamento inicialmente é não-operatório, com o uso de medicação para controle de dor, repouso relativo e fisioterapia, em muitos casos MUITA fisioterapia (próximos posts). Nos casos que o tratamento não-operatório falha, ou em casos que há alteração anatômica importante, é sugerido pelo ortopedista que o paciente realize um procedimento cirúrgico, de preferência via artroscopia (Próximos posts). Após a cirurgia o paciente deve voltar a realizar a fisioterapia para que gradativamente ele volte as atividades esportivas. De qualquer forma há solução!!!!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Femoroacetabular Impingement in the Hip

IMPACTO FÊMOROACETABULAR

O diagnóstico clínico de impacto fêmoro-acetabular é relativamente novo. Há pouco mais de 10 anos, muito pouco sabia-se sobre esta lesão, muito em função de não se conseguir "olhar" dentro da articulação com o artroscópio. A história natural das pessoas que sofriam deste problema, era o afastamento das atividades físicas e mascarar a dor com medicamentos e esperar a artrose avançar, até o ponto de a dor ficar insuportável e colocar uma prótese de quadril. O impacto fêmoroacetabular é um contato anormal da cabeça/colo femoral com o acetábulo, decorrente de uma anatomia alterada. Este contato é mais pronunciado ao realizar os movimentos de rotação interna mais flexão de quadril e pode ser associada a dor, diminuição de movimento, desgaste da cartilagem, lesão de labrum, podendo levar a osteoartrose. Atualmente, há algumas possibilidades de tratamento, como fisioterapia, artroscopia e orientações de como preservar ao máximo a articulação. Em próximos posts, falarei de cada um destes tratamentos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Relato de uma paciente americana sobre a fisioterapia

Esforço é dolorido e tedioso, segundo relato publicado no "NY Times". Médicos acabam falando pouco sobre efeitos do pós-operatório. de Caitlin Kelly

Comecei a fazer fisioterapia aos 27 anos, depois de ter escorregado em uma calçada com neve em Montreal e rompido os ligamentos do meu tornozelo esquerdo. Fiz fisioterapia novamente, aos 42 e aos 43 anos, após uma cirurgia nos meus dois joelhos. Mais recentemente, operei meus dois ombros. Meu ortopedista costuma dizer que a cirurgia é apenas a metade da batalha. Se for mesmo, ela é a metade mais fácil. O trabalho lento e repetitivo da fisioterapia geralmente começa no dia seguinte. Para lesões como um rompimento de um ligamento cruzado anterior, ela pode durar até seis meses. Antes de fazer fisioterapia, é difícil imaginar algo que vá durar tanto tempo e doer tanto. Parte do desafio é a natureza da cirurgia artroscópica, cujas várias incisões são geralmente tão pequenas que mal deixam rastro. Tive o menisco rompido e removido dos meus dois joelhos, e tenho que procurar bastante para achar minhas cicatrizes. A remoção das lesões do meu ombro através de quatro incisões deixou minha pele quase lisinha. Certamente, isso é muito bom. Porém, esses minúsculos pontinhos dificultam a compreensão do que foi feito ali dentro. Depois de apenas 45 minutos sob anestesia geral e sem nenhuma grande incisão ou ferida sangrenta, por que sinto tanta dor? E por que tenho que continuar fazendo esses exercícios bobos?

Falta de conversa
Cirurgiões têm pouco tempo, e às vezes menos vontade, de discutir as minúcias dos efeitos pós-cirúrgicos. Geralmente, são os fisioterapeutas os responsáveis por explicar pacientemente o que o médico fez e por que agora temos que dedicar uma grande parte do nosso tempo à reabilitação. A fisioterapia exige de nós o tédio mensal de passar horas em uma sala cheia de estranhos esticando borrachas coloridas ou girando os braços em círculos. Os rituais são estranhamente e intimamente públicos. Pacientes de todas as idades, raças e níveis sociais compartilham a mesma sala, ampla e iluminada. Levantamos nossas pernas lado a lado em amplas camas. Esperamos na fila para os exercícios de puxar e a bicicleta de braços. Aprendemos uma nova linguagem e suas ferramentas: a tira, o bastão, as pinças. Todo mundo acaba na fisioterapia – ágeis atletas, trabalhadores da construção civil e policiais com tensões relacionadas ao trabalho, diretores de empresa com lesões causadas pelo uso do jet ski, pessoas mais velhas com joelhos e quadris operados. Lá, simpatizei com um pastor episcopal, um professor de economia de uma das mais prestigiadas universidades e um bombeiro.

O dia-a-dia
Os rituais viram uma rotina, começando com uma almofada de aquecimento e estimulação dos nervos, terminando com a bênção confortante de uma bolsa de gelo. Aprendemos a ajustar nossas vidas em torno do inevitável, em torno da verdade fora de moda – a de que a cura dá trabalho e isso toma tempo. A camaradagem cresce à medida que pacientes comparam observações sobre as frustrações de terem de pedir ajuda para tarefas simples como vestir as próprias calças e abrir uma lata de sopa. As mulheres lastimam com o novo fato de que uma alça de sutiã pode pinçar um ombro em processo de cura como um cabo de aço. Lutando para conseguir completar até a mais simples das tarefas numa sala cheia de coleguinhas adultos e envergonhados. Quando vejo o maxilar de alguém trincar pelo esforço, imagino que um peso de 500 gramas pode ser difícil de levantar. Nunca esperei estabelecer um relacionamento de vários anos com meus fisioterapeutas, mas isso aconteceu. Eu gosto de Helen, Matt, Stephanie e Richard. Gosto mesmo. Só espero nunca vê-los novamente. Não tenho inveja do trabalho deles, esticando, balançando e manipulando nossas articulações para afrouxá-las e torná-las flexíveis. Isso já me deixou sem ar de tanta dor, algumas vezes até chorei. Não posso me imaginar infligindo dor intencionalmente, mas isso, como todo mundo aprende rapidamente, é uma parte inevitável da cura. Deve ser difícil para nossos fisioterapeutas nos animar em relação ao que, para nós, em outras circunstâncias, seriam conquistas infantis – quando obtemos novamente a capacidade de amarrar o sapato, andar reto numa sala ou jogar uma bola. Existe um lado positivo. Pelo fato de vermos nossos fisioterapeutas com tanta freqüência durante meses, passamos a conhecê-los, e eles a nós, de uma forma como nunca vamos conhecer nossos médicos. Passamos a saber onde eles moram e onde passam as férias, quem tem um novo cachorrinho em casa, quem tem um marido que mudou de emprego recentemente. Não é uma intimidade que escolhemos. Porém, tirados da nossa privacidade, das nossas vidas corridas, seja de forma relutante ou agradecida, caímos nas mãos fortes, habilidosas e preparadas dos fisioterapeutas.